Arteriosclerose SBACV-RJ
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Revista SBACV/RJ
Vol. 7 - Nº 2
Aterosclerose: Aterogênese e fatores de risco

Revista SBACV/RJ
Vol. 10 - Especial
O primeiro sinal da arteriosclerose pode ser a morte.

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Vascular
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SBACVRJ
ARTIGO DE ATUALIZAÇÃO

ATEROSCLEROSE: ATEROGÊNESE E FATORES DE RISCO (CONT.)

Dr. Fernando L.V. Duque1
Santa Casa da Misericórdia - Hospital Central - Rio de Janeiro

ATIVIDADE INTERCELULAR NA ATEROGÊNESE

O desencadeamento da aterosclerose em animais de experimentação foi realizado por meio da hiperingestão de lipídios, da produção de hipertensão arterial, de diabetes melito, de hiper-homocisteinemia, etc. Com a dieta hipercolesterolêmica em macacos, porcos e coelhos, foi vista uma série de alterações celulares durante a formação do ateroma. A primeira anormalidade parece ser a aderência de cachos de leucócitos (principalmente monócitos) na superfície do endotélio. Nas grandes hipercolesterolemias esses conglomerados de leucócitos começam a surgir ao fim de 7 a 12 dias - em animais com taxas sanguíneas mais baixas, a adesão monocítica/linfocitária só ocorre alguns meses após o início da hipercolesterolemia experimental. Nesse período, os leucócitos grudam uns aos outros, a outras células, e à matriz extracelular, por influência de uma série de moléculas de superfície celular que regulam seus movimentos e interações (superfamília das imunoglobulinas; ÍCAMs e VCAMs; família das integrinas; selectinas). Os monócitos rolam pela superfície do endotélio, passam entre as células endoteliais e alcançam a subíntima. Aí, rapidamente, se transformam em células espumosas ao armazenarem lipoproteínas extracelulares sob a forma de ésteres do colesterol. Essas células macrofágicas que se dispõem em camadas são o fundamento da estria gordurosa, onde também podem ser vistas CMLs migradas da camada média, cheias de lipídios.

Uma segunda série de eventos se desenvolve cinco a seis meses depois (nos animais com colesterol muito alto) ou dois a três anos após (nos animais com colesterol não muito alto). Nessa época começam a surgir lesões nas artérias dos membros inferiores, depois ilíacas, aorta, e por fim das coronárias. A lesão é uma aparente disjunção das células endoteliais e retração do endotélio sobre a estria gordurosa, expondo a subíntima ao sangue, especialmente nas bifurcações e regiões de maior turbilhonamento sanguíneo.

Em consequência, as plaquetas se aderem às falhas do endolélio e aí se formam microtrombos. Poucos meses depois já está em progressão a maciça proliferação das CMLs e a formação da placa fibrosa onde, em círculos viciosos, continuara a proliferação de CMLs e macrófagos. As diversas etapas da aterogênese são regidas pêlos diferentes fatores de crescimento elaborados por células vivas ou moribundas.

Quando a placa fibrosa continua a evoluir para pior (placa avançada), é provável estar persistindo a injúria e lesão das células endoteliais, a entrada de monócitos/macrófagos e de plaquetas na camada subíntima, a formação de trombos, etc, além da somação das alterações secundárias e/ou reacionárias, tais como aumento dos vasa vasorum, espessamento da parede, remodelação vasal, distúrbios vasomotores e reológicos, lesões imuno-inflamatórias, etc. Tudo modulado pêlos fatores de adesão e/ou de crescimento.

A ação nociva do excesso de gordura sanguínea é demonstrada em animais pela regressão das estrias gordurosas e diminuição da placa fibrosa com a suspensão da dieta hiperlipídica geradora de hiperlipidemia experimental.

VASO VASORUM

Na artéria normal, os pequenos vasos nutridores da parede se distribuem pela camada advenlicial e só penetram até a parte externa da camada média. Na artéria ateromatosa, os vaso-vasorum se proliferam e alongam, vindo a formar um plexo microvascular na íntima doente (Barger e Beeuwkes, 1990). A intensidade dessa neoformação vascular é proporcional ao grau de espessamento intimal, o que permite deduzir que a neocapilarização garante o desenvolvimento e crescimento da placa ateromatosa e das células dos músculos liso locais. Presume-se que a angiogênese seja devida à maior demanda de oxigénio pelas células do ateroma e/ou pela presença de fatores de crescimento no local (FGF; TGF-b; TNF).


  1. Professor de Angiologia da Faculdade de Medicina da FTESM e PUC (RJ).
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