Arteriosclerose SBACV-RJ
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Revista SBACV/RJ
Vol. 7 - Nº 2
Aterosclerose: Aterogênese e fatores de risco

Revista SBACV/RJ
Vol. 10 - Especial
O primeiro sinal da arteriosclerose pode ser a morte.

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ALIMENTAÇÃO

As dietas hipocalóricas parecem ter efeito benéfico geral sobre a "juventude" e a sobrevida das pessoas, assim como sobre a incidência de doenças, inclusive da aterosclerose.

As dietas com pequenas restrições de gorduras influenciam pouco as taxas de colesterol e não diminuem a incidência dos acidentes cardíacos (Burr, 1989). As dietas com maior restrição de gorduras e aumento de fibras e alimentos antioxidantes produziram melhores resultados quanto às manifestações clínicas da AE, mas também não diminuíram muito os valores do colesterol sanguíneo, sugerindo que o efeito benéfico da dieta transcende a sua ação sobre os valores de colesterol. Tal como se constatou, em estudos angiográficos, estas dietas governam a evolução da AE, independentemente dos valores dos lipídios séricos, e provocam a regressão das lesões ateromatosas (Superko, 1994).

O aumento de consumo de peixe na alimentação não diminui o risco de doenças coronárias (Ascherio, 1995). O efeito das dietas com óleo de peixe sobre a reestenose, após a feitura de angioplastia, ainda esta em fase de avaliação.

A avaliação do grau de obesidade por meio da relação diâmetro ventre-bacia é válida, especialmente para as mulheres, mas a relação peso-altura é a mais correntemente utilizada. Na presença de outros fatores de risco, um sobrepeso de 15 ou mais por cento deve ser considerado como indicação para dieta hipocalórica. Não é raro a melhora da pressão arterial e das taxas sanguíneas de ureia, ácido úrico, glicose e lipídios, após o emagrecimento de uns poucos quilos.

DISLIPIDEMIAS

Praticamente todos os processos terapêuticos para corrigir os distúrbios lipídicos do sangue são baseados na verificação de que a redução do colesterol sérico (especialmente o LDL) é acompanhada da redução do risco de doenças coronárias.

As intervenções terapêuticas feitas na década de 80 consistiam em dieta associada a uma droga (colestiramina, clofibrato, gemfibrosil, niacina) e avaliadas pelas dosagens do colesterol e triglicerídios sanguíneo e constatação da incidência de distúrbios cardiovasculares. As determinações dos outros lipídios sanguíneos só foram feitas mais recentemente dando, em geral, os mesmos bons resultados ao tratamento. Chega-se a afirmar que a redução de 1% do colesterol total condiciona uma melhora de 2% dos acidentes clínicos.

O estudo West Scotiand (Sheperd, 1995) foi feito em pessoas sem história de infarto do miocárdio, com colesterol sanguíneo em torno de 272mg/dl, tomando 40mg de pravastatina por dia durante 4,9 anos. Houve baixa de 25% do valor médio do colesterol LDL e os acidentes coronários foram reduzidos em 31%. Esta redução não foi influenciada pelo fumo ou pela idade, o que permite concluir que a hipercolesterolemia age como fator independente, e é útil combatê-la.

Por meio de estudos arteriográficos foi possível constatar que em torno de 25 a 60% dos pacientes cm dieta LDL continuam com a progressão das placas ateromatosas coro-narianas. Estes achados sugerem que, além de tratar o excesso de LDL, é necessário fazer o tratamento de outros distúrbios lipídicos e de outros fatores de risco eventualmente associados.

HDL - As informações sobre as variações da taxa sanguínea do colesterol HDL não são precisas, mas, aparentemente, é benéfica a elevação da baixa taxa de HDL. A elevação do HDL sanguíneo não é de fácil consecução e parece só ser possível com medidas higieno-dietéticas, uso de niacina e de estrogênios. Especialmente com dieta hipolipídica e exercícios físicos.

E igualmente importante evitarem-se as condições que baixam a taxa de HDL, tais como o sedentarismo, a obesidade, o tabagismo, a dislipidemia associada à resistência à insulina, os bloqueadores B adrenérgicos, os andrógenos, a prednosolona, o probucol, etc.

Lipoproteína (a) - Os níveis sanguíneos de Lp(a) parecem ser fortemente governados por fatores genéticos e ainda não há estudos comprovando o efeito da redução do Lp (a) sobre os distúrbios cardiovasculares. Aparentemente, os fármacos têm pouco efeito sobre as taxas de Lp (a) mas, recentemente, foi sugerido que a niacina (Carison, 1989) e os estrogênios (na mulher pós-menopausa) talvez reduzam o seu nível sanguíneo (Soma, 1991).

Triglicerídeos-LDL - Não há estudo clínico que comprove, de forma absoluta, a redução de risco de aterosclerose coronária e periférica com a redução da trigliceridemia plasmática. Os estudos angiográficos, entretanto, revelam certa relação de causa e efeito entre os dois eventos. O consenso do National Institutos ofHealth (N1H) dos EUA aconselha tratar os pacientes com hipertrigliceridemia, mesmo com colesterol total baixo desde que tenham HDL-C baixo e distúrbios cardiovasculares.

As taxas de LDL não são bons índices de progressão/ regressão da ateromatose; são significativos os níveis de triglicerídios, de LDL, de partículas ricas em triglicerídios (especialmente contendo apo C-II1), e de LDL pequeno e denso (subclasse B). Apesar disso, a redução da laxa de colesterol LDL abaixo de lOOg/dl produz acentuada melhora da AE vista à arteriografia (Superko).

O combate aos altos níveis de gorduras sanguíneas é realizado por meios higieno-dietéticos (dieta, exercícios físicos) e por fármacos (hipotireoidianos, hipolipemiantes, estrogênios).

A melhor maneira de diminuir as "escorrias de luxo" do indivíduo obeso é fazê-lo andar mais e comer menos. Na presença de dislipidemias, a dieta hipocalórica deve ser fortemente baseada na restrição de gorduras e, secundariamente, na de hidrates de carbono. A restrição de gorduras é mais bem feita com diminuição das gorduras saturadas, contidas especialmente nos alimentos derivados de animais (presunto, carne, leite integral,

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