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A insuficiência vascular cerebral é a terceira causa de óbito da população e a segunda causa de óbito entre as doenças cardiovasculares. As artérias carótidas internas, juntamente com as artérias vertebrais, fornecem o fluxo sanguíneo para as artérias cerebrais formadoras do Poligno de Willis, responsável pela circulação cerebral. O fluxo cerebral corresponde a 20% do débito cardíaco. O acidente vascular cerebral pode ser causado por dois mecanismos:
a) causa hemodinâmica - hipofluxo
b) causa ateroembólica - deslocamento de placa de ateroma.
O quadro clínico dependerá da localização da isquemia e do tempo de duração. Os sintomas isquêmicos possuem importância clínica particular. Ao serem descobertos, devem ter suas causas identificadas o mais rápido possível para iniciar o tratamento.
No sistema carotídeo:
- cegueira monocular transitória;
- hemi ou monoparesia;
- hemi ou monoplegia;
- disfasia - dificuldade em falar;
- déficits sensitivos em hemicorpo;
- diplopia - percepção de duas imagens de um só objeto;
- disartria - dificuldade de articulação das palavras;
- disfagia - dificuldade de deglutir;
- desequilíbrio
Os sintomas podem se apresentar de diversas maneiras, constituindo as chamadas síndromes isquêmicas.
- Acidente Isquêmico Transitório-AIT-aparecimento dos sintomas com desaparecimento em até 24 horas, não deixando sequelas.
- Déficit Neurológico Reversível - RIND - acidentes isquêmicos que perduram por mais de 24 horas.
- Acidente Vascular Isquêmico - quadro súbito de perda da função neurológica, deixa sequelas.
- Acidente Vascular Cerebral Progressivo - ocorrência de acidentes transitórios consecutivos, é uma situação de emergência cirúrgica.
- Isquemia Cerebral Generalizada - perda da função cerebral decorrente de isquemia crônica.
Os sintomas poderão ser diagnosticados através de:
- Exame físico, avaliação das artérias cervicais com ausculta e palpação dos vasos;
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- Oculoplestimografía - medida da pressão sistólica da artéria oftálmica comparada a pressão sistólica da artéria braquial.
- EcocolorDoppler - apresenta ótima sensibilidade e especificidade.
- Tomografia Computadorizada de Crânio - de grande importância no avanço da doença isquêmica cerebral além de identificar outras patologias cerebrais.
- Ressonânica Nuclear Magnética - pode mostrar alterações cerebrais em pacientes com doença carotídea.
- Arteriografia dos Troncos Supra-aórticos - mostra detalhes anatómicos da circulação.
Após conclusão de dois grandes estudos (North American Syntomatic Trial - NASCET, e European Carotid Surgery Trial -ECST), ficou estabelecido que nos pacientes sintomáticos a lesão carotídea é responsável pelos sintomas neurológicos ipsilaterais, e, nas estenoses acima de 70%, a cirurgia reduz em 65% a incidência de AVC.
Nos pacientes assintomáticos, o AÇAS - Asyntomatic Carotid Atherosclerosis Study demonstrou que o tratamento cirúrgico é superior ao tratamento clínico quando a estenose for maior que 60%.
O tratamento cirúrgico consiste na endarterectomia das artérias carótidas, feita sob anestesia geral ou loco-rcgional. O uso da derivação temporária varia segundo os grupos cirúrgicos. Após arteriotomia, é retirada a endartéria (placa de ateroma e superfície da íntima). O tempo de internação varia segundo o tipo de anestesia. O tratamento endovascular, devido aos novos materiais (fios, guias, cateteres, balões para angioplastia e endopróteses) tem sido ampliado. Porém, ainda não há consenso quanto à utilização deste método, visto que a cirurgia tem morbilidade e mortalidade em torno de 2%, enquanto o tratamento endovascular, de 3% a 18%, ficando sua indicação restrita a casos especiais.
Nas lesões ateroscleróticas das artérias vertebrais, os sinais clínicos vértebro-basilares são menos frequentes que as do território carotídeo.
As principais indicações são:
- Estenose severa das artérias vertebrais sintomáticas, sem outra lesão acessível extracraniana.
- Estenose sintomática das artérias vertebrais cujos sintomas não melhoram com a correção das artérias carótidas.
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